sexta-feira, 31 de julho de 2009

R.I.P: Bobby Robson


Nesta sexta-feira, 31 de julho, o mundo do futebol perdeu uma de suas mais carismáticas figuras, Sir Bobby Robson. Jogador da seleção inglesa no final dos anos 50 e início dos 60, Robson fez carreira profissional no Fulham e no West Albion. Mas, sobretudo como treinador, Sir Bobby alcançou uma posição de destaque e respeito de todos os comandados e adverários. Uma campanha surpreendente com o pequeno Ipswich Town, que lhe rendeu o título da Copa da Uefa em 1981, foi o trampolim para assumir a seleção inglesa após a Copa do Mundo da Espanha. Com o "English Team", Robson esteve em duas Copas do Mundo, sendo eliminado pela Argentina e a "mão-de-deus" em 86 e terminando em quarto lugar em 90. Bobby Robson fez carreira também em clubes do continente, especialmente em Portugal, onde esteve à frente de Sporting e Porto, vencendo por este último duas ligas e uma Taça. Além de dirigir o Barcelona, na temporada em que Ronaldo estreou no Camp Nou. Muito contestado por seu trabalho com os blaugranas, Bobby Robson, teve o azar de chegar num momento difícil do clube, substituindo simplesmente Johann Cruyff. Assim, Sir Bobby restou apenas uma temporada com os culés, pese três títulos vencidos, a Copa do Rei, a Supercopa Espanhola e a Recopa Européia. Em seu período de trabalho em Portugal e Espanha, ele se cercou da ajuda de um tradutor que começava a construir sua própria carreira como treinador. Um português chamado José Mourinho que à essa época não era ainda um "Special One".


Robson é dito por todos os que o conheceram como uma figura que, além da capacidade profissional, tinha uma humanidade elogiável, onde se destacava um senso de humor pronunciado.Uma das cenas que mais me marcou de Robson foi a da sua reação após um gol marcado por Ronaldo contra o Salamanca. O treinador abandona o banco e põe as mãos à cabeça numa atitude de incredulidade. Uma cena um tanto hilária para um homem experiente e respeitado como era Robson, mas que demonstra sua generosidade em mostrar ao mundo como ele podia ser tocado por um simples garoto que iniciava a carreira. Como sua paixão pelo futebol não precisava ser melindrada pela imagem do "técnico-sabe-tudo", figura tão habitual de nossos dias.


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Dito isso, vou homenagear Sir Bobby postando dois jogos que marcam sua carreira como treinador: a vitória contra Camarões, num jogo inesquecível pela Copa de 90 e seu título de Campeão da Recopa com o Barça.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ok, vocês venceram...



Dei uma checada em meus arquivos e vou aceitar a sugestão de algumas pessoas que se pronunciaram sobre idéias para a continuidade. Antes de começar a nova série de postagens que sairá do vencedor da enquete, vou fazer uma série com CAMPEONATOS ESTADUAIS. Gostaria de avisar logo que, infelizmente, não disponho de amostras de todos os principais campeonatos. Com muito pesar, comunico aos mineiros que não tenho sequer um Atlético x Cruzeiro histórico e aos gremistas que o único Grenal que disponho, o chamado Grenal do Século, não é de boas recordações para os tricolores. Enfim, mas vamos com o que temos. A maior parte do material se concentra mesmo em Rj e Sp. Começarei a postar alguma coisa a partir de amanhã.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Tempo para reflexão


Ainda estou pensando como continuar as seguintes postagens. No momento, não estou dispondo de muito espaço para fazer outras séries, nem também de inspiração. Assim, peço que se alguém tiver algo a sugerir que o faça nos comentários. Como uma solução imediata, vou atualizar determinadas séries, incluindo jogos que consegui depois, como algumas partidas do Ajax da década de 70, outras do Napoli de Maradona e duas finais do Brasileiro. Mas aceito pedidos...

O dia da glória chegou...

Em 1993, a seleção francesa havia sido desclassificada pela Bulgária em pleno estádio de Parc de Princes. Era a segunda Copa do Mundo consecutiva em que a França não estaria presente. A geração de Platini, Trésor e Tigana parecia ter deixado orfão o torcedor francês.

Amante do futebol, mas com uma paixão mais comedida, o francês se delicia com o jogo belo. Foram eles que aplaudiram e eternizaram a seleção uruguaia nas Olímpiadas de 1924, foram também eles que deram a Pelé o codinome de Rei e que encheram de elogios a Didi, na Copa de 1958. Mesma Copa em que a equipe nacional, pela primeira vez na história, mostrou sua face competitiva. Um time que contava com um artista Raymond Kopa, o pequeno Napoleão, e um artilheiro impiedoso, Just Fontaine, ainda hoje o maior artilheiro em uma única edição da competição mundial. Fontaine, um marroquino, abandonou a colônia para ir jogar nos clubes franceses. Como Fontaine, muitos são os imigrantes atraídos para a vida no país galo. Um país que sempre esteve na vanguarda das revoluções sociais e culturais do mundo e que, por isso mesmo, sempre comportou uma grande pluralidade racial. Ainda assim, a interação que ocorre entre esses e os nativos não é nada tranquila. Como em todos os casos similares, as diferenças sociais e tensões causadas por problemas de desemprego geram conflitos múltiplos pelo país.




Em 1996, o então candidato à presidência Jean-Marie Le Pen, da extrema direita, e conhecido por suas opiniões radicais a respeito de todo e qualquer assunto delicado, disse que a seleção francesa "era uma equipe artificial, formada por jogadores estrangeiros que sequer sabiam cantar a Marselhesa" (hino nacional francês). De fato a seleção contava com jogadores como Thuram e Desailly nascidos em ex-colonias e mais outros como Djorkaeff e Zidane, descendentes de imigrantes. Mas era exatamente a mistura de tantas e diferentes culturas que mais simbolizava o tricolor francês, que melhor traduzia a moderna sociedade. Foi no que Le Pen imaginava como fraqueza, que "Les Bleus" alcançaram o equilíbrio para atingir o cume do esporte mundial.



A cena inicial da final da Copa do Mundo marca bem essa transformação. Nas tribunas, Michel Platini, o maior ídolo que o futebol francês havia produzido até então. Homem que durante os anos 80, reinou ao lado de Zico e Maradona, como um dos maiores expoentes do futebol mundial. Que transformou a Juventus numa das equipes mais vencedoras de sua época. Pois bem, lá estava Platini, então coordenador geral da organização do mundial, de terno e por baixo a camiseta azul que ele tanto ajudara em seu período de jogador. Participando de três Copas do Mundo, as duas últimas (em 82 e 86) em que conseguiu repetir o feito do time de 58 e alcançar um terceiro e um quarto lugar, além de um título europeu em 84. Além disso, Platini e seus companheiros fizeram da França, junto com o Brasil de 82, uma das marcas do belo jogo num período que seria dominado pelo futebol físico. Mas ali estava Platini, para assistir essa nova geração incluir um capítulo completamente inédito na história do futebol francês. Pela primeira vez, um povo que aprendera a cultuar as derrotas e aplaudir os adversários, podia se orgulhar de alcançar o paraíso na competição que eles criaram, a Copa do Mundo.



No campo, se não existia uma equipe tão brilhante como a dos anos 80, estava um homem que talvez tenha roubado de Platini a coroa e o cetro de melhor jogador francês da história e que escreveu naquele dia o testamento de um dos melhores do mundo em todos os tempos. Zinedine Zidane, filho de argelinos, elemento clássico de uma sociedade dividida entre o ranço de um tradicionalismo e o sopro de uma nova cultura, alçou vôo a partir do Stade de France à glória de ser o melhor jogador de sua época. Marcou dois gols na final contra o Brasil e deu à França o orgulho de ser campeã.

Muito se falou das condições de Ronaldo antes da final e de como esse problema pode ter desequilibrado a equipe brasileira. Entretanto, em minha opinião, isso não serve como explicação para a derrota no Stade de France. Nem deve tirar o brilho de uma equipe que teve a melhor campanha entre os participantes, com o melhor ataque (15 gols marcados) e a melhor defesa (apenas 3 gols sofridos em 7 partidas). O Brasil apresentou as mesmas falhas dos outros jogos e os franceses a mesma motivação, além de um Zidane especialmente inspirado. Zizou, aliás, é para mim o último de uma classe de excepcionais futebolistas. Um verdadeiro "Senhor" do jogo, como um Di Stefano, capaz de controlar a partida, de encontrar as soluções, o homem que trazia segurança a seus companheiros. Dono de uma classe e de um domínio de bola impecáveis. Isso não era novidade. Antes da Copa, Zidane já brilhava na Juventus, onde foi lapidado a partir do diamante bruto que já luzia no Bordeaux. O passo seguinte no Real Madrid, só veio a consagrar sua carreira. Vencedor três vezes do prêmio de melhor do mundo, feito que somente Ronaldo iguala, fazem de Zidane um dos jogadores mais vencedores do seu tempo. Em minha opinião o grande nome de sua geração. Não tão absoluto como Cruyff ou Maradona, mas sem dúvida um expoente dos anos 90 e parte da primeira década do século seguinte.




Foi assim, baseando sua força nessa mistura de origens, credos e classes, que a França alcançou o topo do futebol mundial pela primeira e única vez. Dominando por quatro anos ao futebol mundial, com o título da Copa, uma Eurocopa e mais dois campeonatos mundiais de divisões de base. Em tempo, Jean-Marie Le Pen perdeu as eleições...

sábado, 25 de julho de 2009

Próxima Série: Igualdade e Fraterninade

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Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé
Contre nous de la tyrannie
L'étendard sanglant est levé.
L'étendard sanglant est levé:
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats!
Ils viennent jusque dans vos bras
Égorger vos fils et vos compagnes.

Aux armes citoyens,
Formez vos bataillons.
Marchons! Marchons!
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O "Magriço" de Portugal


Todos nós quando ouvimos falar dos “Magriços”, lembramo-nos da célebre selecção portuguesa de Eusébio, que em 1966, foi a Inglaterra conquistar um brilhante terceiro lugar no campeonato do mundo. Mas de onde vem esse nome? Quem foram os “Magriços”? Ou melhor… quem foi o “Magriço”?

Luís de Camões foi o grande responsável pela divulgação do nome e das proezas do Magriço, ao incluir em Os Lusíadas, (nota: Canto I, capítulo 12, verso sexto), o relato dos feitos dos “doze de Inglaterra“.

Consta que, nos finais do século XIV doze damas inglesas, tendo sido injuriadas por palavras proferidas por outros tantos cavaleiros também ingleses, apresentaram queixas ao Duque de Lencaster, pedindo-lhe que, pelas armas, assumisse a defesa da honra ofendida.

O Duque, não querendo afrontar directamente esses cavaleiros, para não agravar um problema interno, logo se lembra de doze cavaleiros portugueses que conhecera, ao lado do rei de Portugal, seu genro, aqui combatera as tropas de Castela.

Cartas são enviadas pelas damas e pelo Duque a cada um dos cavaleiros portugueses e a D. João I, que autoriza a expedição a Inglaterra, onde, em torneio, os portugueses se bateriam contra os ingleses.

É aparelhado um navio que parte da cidade do Porto, levando 11 cavaleiros armados. Esperem lá. 11? mas não eram 12? Efectivamente eram 12 os cavaleiros. No entanto, um tal de Álvaro Gonçalves Coutinho, comunica aos seus colegas de armas que prefere fazer a viagem por via terrestre, a fim de saciar a curiosidade que tem de conhecer novas terras e novas gentes. Por motivos ainda não muito bem conhecidos, este cavaleiro, era conhecido entre as suas gentes como o… “magriço”.

Entretanto, chegados a Inglaterra, os onze portugueses preparam-se para o torneio… e do magriço nem novas nem mandados, para grande desgosto da dama que ele iria defender. No preciso momento que iam iniciar o combate, eis que, com grande reboliço, o Magriço entra em campo, pondo-se ao lado dos seus companheiros. O confronto é breve e, com alguns ingleses mortos e outros postos fora do campo, aos portugueses resta celebrar a vitória e receber as homenagens das damas desagravadas, antes de regressarem a Portugal.

Todos… todos não. O nosso Magriço, que, não resistindo à sua curiosidade e espírito aventureiro, por lá se deixa ficar mais uns tempos, ao serviço do Conde de Flandres.

Já anteriormente a Camões, são feitas referências a este episódio no Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda, de Jorge Ferreira de Vasconçelos, editado em 1567.

O tema persistiu e, já depois da morte do autos de Os Lusíadas, Pedro de Mariz, nos Diálogos de Vária História, de 1599, inclui pormenorizada descrição do torneio de Londres.

Quanto ao Magriço e seus feitos, esses existiram mesmo e são atestados por documento existente na Torre d Tombo, uma carta datada de 26 de Dezembro de 1411, em que D. João, duque da Borgonha e conde da Flandres, reconhece os grandes serviços a si prestados por Álvaro Gonçalves Coutinho e, em agradecimento, concede privilégios aos portugueses na Flandres.

A nobilíssima família dos Coutinhos é uma das mais antigas e ilustres de Portugal que atingiu grande brilho pelas suas valorosas acções e alianças que teve com membros da Casa Real.


Fonte: http://www.cantinhodomundo.com/antigoblog/o-magico-de-portugal

A Revolução dos Cravos

Na década de 70 eclodiu em Portugal a chamada Revolução dos Cravos que derrubou o regime ditatorial instaurado no país desde 1933. Uma das principais razões que levaram à revolta foram os problemas ocasionados pelas chamadas Guerras Coloniais, uma série de guerrilhas que explodiam nas colônias africanas e que minavam a econômia e a estabilidade política e social do país.

Portugal, diferentemente de outros países europeus como a França, manteve sob julgo os territórios africanos como Moçambique e Angola. Censurado em diversos fóruns mundiais por sua política, o governo português, comandado inicialmente por Salazar e depois por Caetano estabeleceu uma "mão-de-ferro" sobre a questão e passou a perseguir, através de sua polícia política, todos os opositores do regime colonialista dentro de Portugal. Vários estudantes e políticos tiveram que buscar exílio para fugirem dos instrumentos de tortura. Por outro lado, movido pela crescente disputa de influência mundial, soviéticos e americanos buscavam expandir sua esfera, patrocinando guerrilhas armadas nos territórios africanos. Logo, o governo português se viu em meio a uma série de batalhas nos territórios coloniais, forçando-o a gastos militares e à tensão social.

Em 1973, os militares, sequiosos de estabelecer suas próprias prioridades e reforçados pela certeza de um governo cada vez mais titubeante iniciam reuniões que redundarão na criação de um movimento de golpe. Às 0h20mins, do dia 24 de Abril de 1974, a música "Grândola Vila Morena", de José Afonso, é emitida pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano. No dia 25 o golpe estava perpetrado, o regime derrotado e o processo de retirada de Portugal das colônias se iniciava. Era uma época de esperanças para o povo português, livre do julgo de uma ditadura e do terror da perseguição de uma polícia política.

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Época de esperanças que oito anos antes se manifestava, ironicamente, a partir do produto pelo qual a Revolução dos Cravos lutou para terminar, a colonização. Na equipe Tuga que participou do mundial da Inglaterra, militavam pelo menos 4 jogadores advindos de Moçambique, entre eles três pontos centrais daquele time: Hilário, Coluna e o grande Eusébio. Coluna e Eusébio em particular, foram na seleção e no Benfica figuras de proa para sua geração, estabelecendo os melhores resultados da história tanto para o clube como para a equipe nacional.

Era mesmo o Sport Lisboa Benfica que formava a espinha dorsal da equipe. Em 1961, o Benfica foi o primeiro clube a destronar o Real Madrid da coroa européia, vencendo contra o forte Barcelona, de Kubala, Suares e Czibor, o primeiro título depois do reinado merengue de cinco anos consecutivos. O jogo de Berna, onde ainda não estava presente Eusébio, marca o amadurecimento de uma geração de jogadores que conseguia a primeira glória futebolística para seu país. No ano seguinte, a força do time se confirmaria com a vitória sobre os próprio "ex-soberanos" do Real Madrid. O Benfica tomava em mãos a hegemonia do futebol europeu. Mesmo não tendo vencido mais títulos europeus na década, os benfiquistas ainda chegariam a mais três finais. Portanto, em dez anos, os encarnados decidiram 5 vezes o maior troféu do continente europeu.



Quando Portugal se qualificou para sua primeira Copa do Mundo, aquela geração estava pronta para colher os frutos. Mesmo caindo no grupo brasileiro, os portugueses, que eram comandado pelo brasileiro Otto Glória, desclassificaram os então campeões mundiais logo na primeira fase, derrotando-os por 3x1. Mas o melhor estava por vir. Na fase seguinte apareceu a Coréia do Norte, então a maior surpresa do torneio por derrotar os italianos e alijá-los da continuidade no torneio. Num dos jogos mais emocionantes da história dos mundiais, os portugueses assistiram aos coreanos, num ritmo alucinante, imporem um marcado de 3x0, depois de meros 25 minutos de partida. Depois disso, viria uma avalanche cognominada Eusébio. O Pantera Negra marcaria quatro vezes e estabeleceria a diferença favorável aos lusitanos, que ainda contariam com mais um gol para seguirem na competição. O sonho de uma final de mundial se desfaria no jogo seguinte, em que os portugueses se confrontaram contra os donos da casa pelas semifinais. Num jogo duro, contra a equipe de Bobby Charlton, os Magriços (sabe por que "Magriço"?) cairam e tiveram que se satisfazer com um terceiro lugar, vindo na vitória por 2x1 contra os soviéticos.

A posição de terceiro lugar é, até hoje, o melhor resultados dos Tugas em mundiais. Esta Copa também marcou a ascenção de Eusébio como um dos grandes nomes do esporte, chegando mesmo a rivalizar com Pelé num espaço de tempo pelo status de melhor jogador do planeta. Naquela Copa, o Pantera marcou dez vezes e foi o artilheiro, o único lusitano a conseguir tal façanha.

Esta é uma geração até hoje imbátivel na memória dos portugueses. Mesmo que, ao contrário do conto do Magriço, esses onze portugueses não tenham conseguido se impor aos ingleses, os moços lusitanos, como manda a alma portuguesa, singrou um novo mar para encontrar sua glória.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mar Português



Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa, in Mensagem

Tanto Mar...

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2ª versão 1978

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim

Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim


Letra extraída de : http://www.chicobuarque.com.br

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Brincando nos campos do senhor...

Diego Armando Maradona é um desses personagens que o futebol fabrica de tempos em tempos. O conto de fadas que se torna realidade. Da pobreza ao estrelato, num assalto repentino. Para depois vir a queda, o castelo de areia que se esvai.

A frase acima, entretanto, define apenas a generalidade deste personagem. Isso seria a maior parte da verdade, se a pessoa em questão não se denominasse Diego Armando Maradona, um homem tão irrequieto no que concernia ao seu trabalho como o era fora dele. Uma inquietude que é a natural marca da genialidade. O inconformismo de ser apenas mais um.

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Maradona nasceu pobre, num subúrbio de Buenos Aires e, como milhares de crianças sulamericanas que são segregadas aos guetos de suas sociedades se apegou à crença de um milagre para ocupar uma posição que lhe permitisse ter uma vida minimamente digna. Em geral, para aqueles que são providos de algum talento, o futebol é uma desssas possibilidades. E para aqueles que, como Maradona, carregam um elã dourado, uma aúrea de divindade, o futebol logo lhe aporta um caminho a seguir. Foi assim com o jovem Maradona. Desde muito cedo elevado à categoria de uma promessa dada como certa, ele evoluiu dos times de pelada para os pequenos, médios até chegar aos grandes como foi inicialmente nos Argentinos Jrs e em seguida no gigante de La Bombonera, o Boca Juniors. Mas, antes de tornar-se um xeneize, Maradona já era esperado como possível participante na seleção de César Luis Menotti que tentaria o primeiro título mundial para a Argentina em solo pátrio. Tinha 18 anos à época e El Flaco Menotti, achou que seria muita pressão para o garoto. Preferiu deixá-lo preservado, mesmo que isso tenha inibido a primeiro grande glória de Maradona, que aumentaria ainda mais a aúrea de semi-deus e o equivaleria, talvez, a Pelé, na mitologia do garoto dourado. Porém, um ano mais tarde, El Pibe D'oro, capitaneava sua seleção de juniores para o título mundial e os olhos do mundo se punham sobre aquele garoto que tinha corpo de homem e cabeça de gênio. Maradona, ficaria na Argentina até 1982 quando, pouco antes da Copa do Mundo assinava um contrato de transferência para o FC Barcelona por 8 milhões de dólares. Tal era a fábula desse valor à época que o ídolo catalão Quini disse: "Nada que jogue futebol pode valer tanto dinheiro!" Os catalães, entretanto, achavam que Maradona era o novo Cruyff, talvez até mesmo um Kubala, capaz de trazer de volta os anos dourados ao Camp Nou.




Concomitantemente à transferência de clube, Diego disputava sua primeira Copa do Mundo, justamente em território espanhol. Em Barcelona, onde se jogaram as partidas da segunda fase, entretanto, El Pibe viu a Argentina sucumbir ante Itália e Brasil. A pressão sobre ele era tanta que no jogo contra os brasileiros, Diego provoca sua expulsão com uma agressão à Batista. A Argentina não defendia unicamente seu título naquela Copa, mas sua honra de país ferido com à Guerra das Malvinas. Contudo, se o futebol servira de remédio, em 1978, para curar às feridas causadas pelos "desaparecimentos" patrocinados pela ditadura do General Vidella, em 1982, a dose não foi capaz de sedar a dor da derrota para os ingleses.

A Argentina voltou para casa, desclassificada e sem o título mundial. Maradona, continuou em Barcelona, mas seus anos na Catalunha não mudaram a frustração da derrota de 82 Acometido de uma hepatite e depois de uma grave contusão provocada pelo jogador do Athletic Bilbao, Goikoetxea., Maradona jogou apenas 58 partidas pelos blaugranas nos 3 anos que ficou no Camp Nou. Diz-se que após essa contusão um calvário começou a se instalar na vida do ídolo. Recebendo doses de morfina para superar as dores da contusão, Maradona teria iniciado aí seu vício em substâncias. Depois de curado, a noite de Barcelona proporcionou a tentação final. O último capítulo de sua passagem no Camp Nou foi escrito na final da Copa del Rey de 1984, quando provocou uma briga generalizada e acabou suspenso pela Federação Espanhola. Após esse incidente suas relações com a torcida e com o presidente do clube à época, Josep Nuñez se deterioram definitivamente e ele foi vendido ao Napoli. Seu balanço em solo catalão foi de duas Copas del Rey, uma Supercopa Espanhola e 38 gols, muito aquém do que o Barça esperava quando lhe contratou.



Porém, em Nápoles, a mística do menino dourado encontraria lugar ideal para florescer. Maradona era muito maior que o clube. No entanto, assumiu sua identidade e a identidade da região. Nápoles é uma cidade que fica no sul italiano e que apesar de sua grandeza física e histórica sempre foi vista com um olhar preconceituoso pelo Norte, a região mais rica do país. Os mais exaltados costumam chamar o lugar de o ponto mais ao norte da África. Talvez identificado pelo sentimento de exclusão que ele tão bem conhecia desde suas origem de pobreza no subúrbio de Lanús, Maradona abraçou a causa dos napolitanos. Além disso, dada sua celebridade e sua capacidade técnica, tinha salvo-conduto para agir como quisesse. Assim, tão à vontade e com o clube se construindo à sua volta, Diego se recuperou do fracasso de sua primeira experiência no futebol europeu com uma conquista que pode-se dizer épica. Em sua terceira temporada, 1986-87, deu ao Napoli o primeiro scudetto e uma Copa da Itália. Para um clube como Milan, Juventus ou Internazionale, tais aquisições não significariam mais do que dois troféus em sua povoadas salas. Para o Napoli, era apenas a terceira vez a ganhar algo importante, depois de duas vitórias na Copa da Itália nas décadas de 60 e 70. Para o povo napolitano e sulista, em geral, era a vitória dos oprimidos contra os nefastos ricos do Norte italiano. Maradona tornava-se Deus.



Na verdade, o divino já o havia tocado no ano anterior. Os campos mexicanos, que em 1970 serviram para canonizar Pelé em seu último mundial, foram os mesmos que assistiram assombrados às perfomances do pequenino argentino. Suas atuações estão entre as mais decisivas que o mundial já conheceu e, certamente, nunca uma equipe campeã foi tão individualizada num homem só como aquela Argentina que venceu à Alemanha no estádio Azteca. Maradona tudo pôde naquelas sete partidas. Desde gols em que driblou metade da equipe adversária até a licença para usar o ilícito. Seu gol contra a Inglaterra, marcado com a mão será sempre o ícone de uma polêmica perdoada pelo toque da genialidade no gol seguinte. Como se todos compreendessem que para tal jogador não se pode aplicar às mesmas regras que se aplicam aos meros mortais. Ou seja, de certa maneira, a complacência mundial frente àquele ato de desonestidade foi como aceitar às palavras de Diego de que a única mão que impedira a defesa de Peter Shilton fora a "Mão de Deus".



Em Nápoles ele continuaria sendo o Robin Hood encarnado de jogador. Ao clube do sul, Maradona ainda contribuiria com uma inédita Copa da Uefa e um último scudetto, antes da Copa do Mundo da Itália. Era a Copa que serviria para confirmar sua coroa, para estabelecer sua dinastia. No entanto, Maradona chegou ao mundial cansado, machucado. E a Argentina chegou quatro anos mais velha com um elenco que era praticamente o mesmo que Dieguito levara nas costas para o título, dilapidado ainda pela ausência de importantes figuras como Valdano. O peso desta vez foi maior, seu físico não ajudou. Ainda assim, alguns jogos desta Copa servem de capítulos à sua biografia, dando cores tanto à sua genialidade futebolística, ilustrada pelo gol que ele concede à Claudio Caniggia, após driblar toda à defesa brasileira, quanto à sua personalidade de rebelde. No jogo semifinal contra a Itália, que seria disputado no mesmo estádio San Paolo que lhe servia de palco quase todos os domingos, Maradona conclamou os napolitanos a renegarem à seleção italiana e abraçarem à Argentina. De forma inteligente, mitigou às rivalidades locais, ao lembrar:"Eles pedem que vocês sejam italianos por um dia, quando dizem que vocês não o são o ano inteiro. Eu sou napolitano todos os dias. Torçam, então, por mim!" Apesar da maioria dos torcedores não terem acompanhado sua provocativa conclamação, era possível escutar vaias ao hino italiano e, em silêncio, muitos se regozijaram com a vitória alviceleste nos pênaltis.

O ápice, entretanto, ficou sendo esta vitória. Derrotada na final pela Alemanha, a Argentina chorou lágrimas com a mágoa de seu capitão. Maradona enxergou um complô para lhe prejudicar, para impedir seu segundo mundial consecutivo. Sua coroação no solo em que já era coroado. Disparou contra o establishment do esporte. Apesar da razão nas críticas aos cartolas (sempre merecedores de quaisquer críticas) e do árbitro da partida, era inegável que a seleção alemã tinha sido a melhor daquele mundial, assim como era inegável a má qualidade da seleção argentina, que só pôde chegar a tal avançada fase devido à fraqueza geral de um piores mundiais que já ocorreram.

Esse capítulo se fechou para Maradona e se iniciou uma sequência de páginas negras de sua vida. Flagrado num exame anti-doping que acusou positivo para cocaína, foi excluído pela Federação Italiana. Depois se arrastou uma tratativa com o Napoli para o rompimento do contrato e problemas com a legislação local. Enfim, quando pôde voltar aos gramados, Diego estava completamente comprometido pelas drogas. Tentou sem sucesso jogar no Sevilla da Espanha, mas brevemente caiu em uma sequência de eventos declinantes. Ainda teve folêgo para tentar uma recuperação que o permitisse voltar a jogar a Copa seguinte. Retornou à Argentina no papel que tão bem se acostumara, o de Messias. De fato funcionou como tal a ser a inspiração para um time jovem recuperar a confiança perdida depois de alcançar o mundial via a repescagem. Um outro positivo em dopagem freiou seu sonho. Maradona foi excluído do Mundial americano antes do último jogo da primeira fase. Daí em diante, a Argentina que já estava classificada para as oitavas só conheceu derrotas. A primeira, contra os búlgaros, só lhe tirou a primeira posição do grupo, mas o segundo golpe, dado pelos romenos, foi fatal. Desclassificação da Copa. Maradona entra em declínio pessoal definitivo.




A morte parecia se anunciar como certa para muito breve. Problemas com drogas, álcool, peso. Maradona nem de longe parece o gênio que inspirou uma geração, que tornou-se deus vivo em seu país. A decadência se estampa no rosto. Mas como um melodrama latino, Diego conseguiu driblar a morte. Depois de vários enfartes, decide-se por um tratamento de desintoxicação em Cuba e em seguida uma cirurgia para diminuição de estômago. Sua recuperação é notória. Sua presença está novamente na mídia. Maradona vive. Jogos festivos, apresentador de programa de televisão. Finalmente o convite para treinar sua seleção.



É absolutamente chocante o amor que Maradona desperta nos argentinos. Pude comprovar isso em Buenos Aires, quando se pode encontrar referências a ele por toda parte, mesmo em coisas descorrelatas do futebol, como o menu de um restaurante. Diego Maradona é, para seus compatriotas, uma espécie de Evita Péron de chuteiras. Primeiro extra-classe mundial que conheceu o poder da mídia moderna, Maradona ganhou projeção tanto por sua capacidade de encantar como pela de gerar notícias, nem sempre boas. Consumido pela imagem. Um homem que pagou o tributo de ser apenas um mortal que era obrigado desde criança a vestir a fantasia de divindade. A driblar a certeza da marginalidade, os adversários no campo e suas limitações como ser humano fora dele. Minha opinião sobre o status de Maradona pode ser controversa, mas ela não suprime nada do que ele fez. Eu não tenho claro se ele é o maior jogador argentino de todos os tempos, como a todos parece óbvio. Acho que Di Stéfano mereceria a oportunidade da dúvida. Como para mim é claro que não é possível compará-lo com Pelé. Com seus mais de 1200 gols, com seus três títulos mundiais pela seleção, dois por seu clube e mais uma infinidade de outros. Com sua capacidade de manter-se no topo por mais de uma década. Não, não o comparo. Mas não posso tirar de Diego à imagem tão sedutora que ele criou para ele mesmo através de sua capacidade sobrehumana de jogar futebol, de decidir jogos sozinho, de inspirar todos os companheiros. Como um Rei. Como um Deus dos estádios...


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Maradona



Nos próximos dias começarei a postar sobre o especial Maradona, o vencedor da enquete. Precisarei de um pouco mais de tempo para isso, pois estou meio ocupado no momento e o material sobre El Diez é vasto. Mas algumas das coisas que aparecerão aqui são as seguintes:

1)Final do mundial juvenil de 1979, o primeiro brilho mundial de Maradona.
2)O superclássico contra o River Plate, em 1981
3)Partidas de Maradona no Barcelona (contra Real Madrid e a polêmica final da Copa del Rey contra o Athletic Bilbao).
4)Partidas da Copa do Mundo de 1986 (contando obviamente com a famosa Mano de Dios)
5)Partidas pelo Napoli (incluindo clássicos contra Milan e Juventus, bem como os jogos finais da Copa da Uefa, ganha pelo clube do sul italiano)
6)Copas de 90 e 94
7)Maradona no Sevilla
8)Documentários (incluindo Maradona de Kustrica)

Espero que tenham paciência e gostem. Até!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

JDownloader

Para quem não conhece, existe uma excelente forma de fazer downloads sem ter que esperar que cada arquivo termine para que você possa ativar o seguinte. Isso pode ser feito a partir de um programa de administração de downloads chamado JDownloader. Esse programa não serve para driblar as limitações de tempo do Rapidshare, por exemplo, mas por outro lado, você não se vê obrigado a ficar abrindo página após página. Basta copiar os links de download e deixar o programa fazer o resto. Ele é tão completo que chega mesmo a descompactar os arquivos para você na pasta de sua escolha. Espero que isso facilite as coisas. Aqui vai um link onde é possível achar o programa e abaixo um tutorial em vídeo para uma versão mais antiga do programa, mas que guarda suas principais características.

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Os dez mais de todos os tempos

A publicação World Soccer escolheu o que para seus jornalistas são as dez maiores partidas de futebol da história. Eis a lista:


1. Itália 4 x 3 Alemanha (semifinal da Copa de 1970, México) Pergunte a um alemão qual o melhor jogo da história. Não será nenhuma das conquistas da Alemanha em Copas (1954, 1974 e 1990). Ele citará uma derrota. Nos 30 minutos da prorrogação desse jogo foram marcados cinco gols. O símbolo da épica partida foi o “kaiser”Franz Beckenbauer, em campo com o ombro deslocado amarrado numa tipóia (foto).

2. Liverpool 3 x 3 Milan
(final da Copa dos Campeões de 2005,Turquia) Se não foi o principal jogo, foi a maior virada. O Liverpool perdia por 3 a 0 no primeiro tempo. Empatou e venceu nos pênaltis.
3. Real Madrid 7 x 3 Eintracht Frankfurt (final da Copa da Europa de 1960, Escócia) Puskas e Di Stefano no auge, público recorde de 134 mil pessoas e a quinta conquista seguida do Madrid.
4. Alemanha 3 x 3 França (semifinal da Copa de 1982, Espanha) O tempo normal terminou em 1 a 1. Na prorrogação, a França fez 3 a 1.A Alemanha de Rummenigge empatou e venceu nos pênaltis.
5. Hungria 4 x 2 Uruguai (semifinal da Copa de 1954, Suíça) O jogo mais emocionante daquela Copa, entre a Hungria, o melhor time do mundo, e o Uruguai, campeão da Copa anterior.

6. França 1 x 1 Brasil (quartas-de-final da Copa de 1986, México) O jogo é lembrado pelo pênalti perdido por Zico no tempo normal e outros três, desperdiçados por Platini, Sócrates e Júlio César na disputa final.Deu França.

7. Inglaterra 4 x 2 Alemanha
(Final da Copa de 1966, Inglaterra) Final polêmica. Na prorrogação, o time inglês saiu na frente com um gol ilegal de Hurst – a bola não passou a linha.
8. Brasil 4 x 1 Itália (final da Copa de 1970, México) A seleção brasileira, uma das melhores da história, produziu jogadas antológicas, como a bola rolada por Pelé para o chute de Carlos Alberto no último gol.
9. Benfica 5 x 3 Real Madrid (final da Copa da Europa de 1962, Holanda) Desta vez, Di Stefano e Puskas foram derrotados. Do outro lado estava Eusébio, o “Pantera Negra”.
10. Hungria 6 x 3 Inglaterra (amistoso, 1953, Inglaterra) “Os Mágicos Magiares”, o timaço húngaro, foi o primeiro time não-britânico a ganhar da Inglaterra em Wembley.
Fonte:Revista da Semana 19-11-2007.

Clicando sobre cada nome, você será redirecionado para o post que permitirá fazer o download da partida. Mas, além de conferirmos essas grandes partidas, poderíamos nos pôr no lugar dos jornalistas da World Soccer e escolhermos também nossa lista dos dez melhores. Vou colocar abaixo a minha e sugiro que todos que queiram o façam nos comentários. Depois de algum tempo, usarei os mais votados para postar aqueles que já não estiverem disponíveis no blog. Então mãos à obra!

Minha lista:

1) Brasil x Itália (1982)

2) Manchester United x Bayern Munique (1999)

3) França x Alemanha Ocidental (1982)
4) Liverpool x Milan (2005)
5) Flamengo x Atlético-MG (1980)

6) Guarani x São Paulo (1986)

7) Flamengo x Atlético-MG (1987)

8) Brasil x Holanda (1994)
9) Holanda x Argentina (1998)
10) Argentina x Romênia (1994)

sábado, 11 de julho de 2009

Grandes Rivalidades: Brasil x Argentina

Existe uma frase que define bem a rivalidade entre Brasil e Argentina no que tange os gramados de futebol: "Os argentinos odeiam amar os brasileiros. Os brasileiros amam odiar os argentinos". No entanto, essa rusga futebolística só foi começar a se tornar realidade mais de duas décadas depois que ocorreu o primeiro jogo entre as seleções. De fato, Uruguai e Argentina dividiam a hegemonia do futebol sulamericano. O Uruguai, além de dois títulos Olímpicos e uma Copa do Mundo, tinha 7 títulos da Copa América, contra cinco dos argentinos e apenas dois dos brasileiros. Isso até 1938, quando o Brasil fez sua primeira campanha convincente no campeonato mundial, terminando em 3o. lugar. Era o início de uma das maiores gerações de jogadores brasileiros e os primeiros anos do profissionalismo no país.

Para se ter uma idéia de como os alvicelestes nos consideravam inofensivos, num jogo valendo pela Copa Rocca entre Brasil e Argentina, em 1914, os brasileiros que tinham aberto o marcador, viram os argentinos marcarem o gol de empate, depois que Leonardi, dominara a bola com a mão. O juiz, brasileiro, validou o gol. Brigas? Confusão? Não! Educadamente, os portenhos se dirigiram à Vossa Senhoria, sr. Borgeth, e comunicaram que o lance fora ilegal e que eles não aceitariam essa vantagem. O árbitro voltou atrás, o gol foi anulado e o Brasil venceu por 1x0. Ao final da contenda, os argentinos, em pleno espírito esportivo, invadiram o campo e carregaram nos braços, em heróica procissão, o goleiro brasileiro, Marcos Mendonça. Inacreditável, não?

Pois bem, em 1920, as provocações começam com o conhecido e lamentável episódio em que um jornal de Buenos Aires noticiou a chegada da delegação brasileira à cidade com uma charge em que os jogadores brasileiros apareciam como macacos. A delegação tinha quatro negros e à referência racista provocou a revolta da seleção que não entrou em campo e gerou o apelido que seria usado a partir daí para provocar os jogadores do Brasil, macaquitos. Em 1937, a guerra explode definitivamente quando, pela disputa do jogo decisivo da Copa América, em Buenos Aires, os brasileiros são novamente recebidos com provocações. O técnico Ademar Pimenta apela para o espírito patriota, mas suplantados pelo melhor futebol dos vizinhos, os brasileiros resolvem culpar a arbitragem pela derrota. Dois anos depois, encorajada pela excelente campanha na Copa do Mundo da França e pelo fato de jamais ter perdido em casa, os canarinhos decidiram que era a hora da vingança. Contudo, os argentinos discordaram solenemente e, em pleno São Januário, aplicaram 5x1. Uma semana depois veio a revanche. O Brasil abre o marcador, a Argentina vira, o Brasil empata. Jogo terminando, o juiz, o brasileiro Carlos Monteiro "Tijolo", marca um duvidoso pênalti para o time da casa. Revoltados, os argentinos abandonam o campo e a torcida vê Píndaro marcar o gol da "vitória" sem um goleiro para tentar defender.

Aqueles já não eram mais os anos de cavalheirismo que o início do confronto assistiu. Foi em 1946, que o capítulo mais triste dessa rivalidade foi escrito. Um ano depois dos vexatórios 5x1, os brasileiros perderiam pela maior diferença da história, 6x1, em Buenos Aires. Em 1945, um pequeno troco aconteceu na goleada verde e amarela por 6x2, em jogo disputado pela Copa Rocca, no Rio de Janeiro.

"Mais do que os 6 a 2 de 1945, no entanto, um acidente é que marcaria esse jogo. Autor de dois gols, Ademir de Menezes, então um jovem de 20 anos, fraturou a perna de Batagliero, um zagueiro argentino de estilo viril. Puro acidente. Ademir jogou limpo. Os que bateram foram o médio Zezé Procópio e o ponta-esquerda vascaíno Chico, manhosos e aplicados na técnica de tirar um adversário de campo sem que o arbitro percebesse. Chegava então a vez dos argentinos pedirem vingança. Três meses depois, lá se iam os assustados brasileiros para o Sul-Americano de Buenos Aires. Final contra quem? A Argentina, é claro. Como medida preventiva, Flávio Costa resolve deixar Ademir na reserva. Na véspera, numa tentativa de melhorar o ambiente, o chefe da delegação, Ciro Aranha, levou Ademir para visitar Batagliero. Deitado na cama, a perna engessada, Batagliero sorriu. Mas, no estádio do River Plate, onde o Brasil se concentrou, Chico recebeu um conselho de um argentino: “É melhor não jogar. Nos vamos te matar.” Chico, gaúcho valente e brigão, que nascera e se criara em Uruguaiana, na fronteira, respondeu com raiva: “Pois vão ter que me matar mesmo!” Trinta e quatro anos depois, em entrevista a revista Placar, Chico, já um pacato cidadão, afirmou que, em dez partidas contra seleções e clubes da Argentina, foi expulso em nove. Merecidamente, admitiu. E ainda declarou, com o rosto retesado, como se estivesse de volta aquela noite de 1946: “Sabe de uma coisa? Minha avó é de lá, mas eu odiava os argentinos.” Antes da partida, José Salomón, El Grán Capitan, zagueiro clássico, ídolo da torcida argentina, 44 jogos pela albiceleste, oferece uma cesta de flores ao veterano capitão brasileiro Domingos da Guia no centro do gramado. Mas o clima era de ameaças. Numa encenação montada antes, Batagliero desfilara de maca em redor do gramado. Dando a impressão que se dirigia aos jogadores brasileiros, a torcida bradava num tom patético: “Mira! Mira!” Era como se dissessem: "Vejam o que vocês fizeram com ele. Daqui a pouco tem troco!" Muitos torcedores, atiçados, gritam: “Quieremos la cabeza de Chico y Procópio!” Bola rolando, e aos 28 minutos, há uma bola espirrada na intermediaria entre Jair e Salomon. O capitão argentino entra de carrinho para ganhar a jogada de qualquer modo. Jair vira o rosto e levanta a perna, em atitude instintiva de defesa. O choque foi inevitável, com a perna direita de Salomon destroncando-se na sola da chuteira de Jair. Houve fratura dupla: tíbia e perônio. Salomon nunca mais se recuperou. Vendo que o argentino Fonda vem para acertá-lo, Jair chispa para o vestiário. Chico vem acudí-lo, segura Fonda e é derrubado por Strembel pelas costas. De repente, está sozinho contra uma multidão de argentinos, soldados e jogadores. Levou pontapés, socos e, mãos na cabeça, defendeu-se com bravura dos golpes de sabre. Por alguns minutos, ele viu a morte de perto. Sua sorte é que um árbitro careca, forte, grandão e corajoso, agente da Policia Especial do Rio de Janeiro, invadiu o campo e abriu caminho entre os cavalos, os soldados e os jogadores argentinos. Era Mário Vianna. Ele nunca soube ao certo como conseguiu carregar Chico e levá-lo a salvo até o vestiário. A noite do desespero não terminara. Aproveitando-se da confusão, umas 500 pessoas pularam para o campo. A policia atirou bombas de gás, mas só a muito custo elas saíram dali. O Brasil, trancado no vestiário, não pretendia voltar. Mas o chefe do policiamento do estádio advertiu que, nesse caso, não garantiria a segurança de ninguém. Lentamente os jogadores foram para o túnel. Chico ficou - além de todo lanhado, estava expulso, juntamente com de la Mata. Zizinho também: Flavio Costa resolveu substituí-lo por Ademir. Recomeçado o jogo, mal Ademir tocou na bola, levou um soco na nuca que o deixou zonzo. Ademir não jogou futebol. Nem o resto do time brasileiro. A Argentina fez o que quis e só não marcou mais de dois gols - ambos através de Mendez - porque não se interessou. Os 2 a 0 naquele 10 de fevereiro de 1946, lhe serviram para garantir o titulo de campeã sul-americana. E o Brasil se conformou, consciente de que tentar uma vitória equivaleria a praticar um suicídio. Há quem jure que, pelo menos em um dos gols a zaga facilitou. Alguns jogadores, inclusive, chegaram a comentar isso, logo depois que o hidroavião da Panair deixou afinal para trás o Rio da Prata e suas duras lembranças. De súbito alguém se lembrou: E o Chico? Chico, que queria aproveitar a viagem para visitar a família, sacolejava num trem para Uruguaiana, resmungando de dor. Para evitar o pior, 12 soldados armados o escoltaram até a fronteira, onde os gaúchos o receberam como um herói de guerra. O trauma da batalha foi tão grande, que os argentinos ficaram praticamente uma década sem jogar contra a seleção tupiniquim, até 5 de fevereiro de 1956 (uma vitória brasileira por 1x0) , chegando a refutar o convite para disputar a Copa do Mundo de 1950, por ser organizada e disputada no Brasil." (Texto retirado do Wikipedia)

O confronto também foi testemunha da estréia do maior jogador de futebol da história. Pelé marcou o gol dos canarinhos na derrota por 2x1, no Maracanã, em 07 de julho de 1957, pela Copa Rocca. Se a partir daí, o Brasil estabeleceria uma hegêmonia no futebol mundial ganhando três títulos, superando o Uruguai e deixando os argentinos sem conhecer o sabor de levantar a Jules Rimet, no continente eram ainda as cores alviceleste que dominavam o cenário, com 12 conquistas argentinas, 11 uruguaias e apenas 3 brasileiras, até 1970.



Por Copas do Mundo, Brasil e Argentina só passaram a se enfrentar a partir de 1974, com uma vitória dos tricampeões. Quatro anos depois, novo confronto pela Copa na Argentina e um empate que, praticamente, garantiu a passagem dos anfitriões à final do torneio. Na Copa seguinte, na Espanha, a vingança brasileira veio com um categórico 3x1 que levou até mesmo Maradona, então estreando em torneios mundiais, a se descontrolar e agredir Batista, cavando uma expulsão que o pouparia de assistir ao baile do adversário. Numa estória como a que se passa entre essas duas seleções, o amanhã sempre guarda a chance de uma reviravolta. E Maradona teve a sua, quando após driblar vários jogadores brasileiros, deu o passe para Caniggia marcar o gol que decretaria a desclassificação brasileira da Copa de 1990, quando completávamos 20 anos sem títulos mundiais e os argentinos defendiam o seu, ganho pela segunda vez no México, quatro anos antes. Esse foi o último encontro das seleções em campeonatos mundias. Mas a partir da década de 90, o domínio do continente se concentrou entre as duas forças, uma vez que o futebol uruguaio se eclipsou a partir da década anterior. De 1989 até a última ediçao da Copa América, em 2007, foram 5 títulos brasileiros contra apenas dois argentinos. O mesmo fenômeno tem se observado no que concerne à disputa entre os clubes. A Libertadores, que sempre foi palco para o brilho dos clubes platenses, viu na década de 90, os brasileiros vencerem 8 vezes , contra 6 dos argentinos e nenhuma glória uruguaia. Isso proporcionou aos brasileiros se colocarem em segundo na lista de maiores vencedores da competição com 13 títulos contra 21 dos clubes da Argentina. Na Copa América temos 8 contra 14 de ambos os vizinhos.


É assim, em meio às transformações proporcionadas por cada época que a rivalidade se potencializa. Às vezes ultrapassa os limites do comportamente saudável. Mas, sobretudo, Brasil e Argentina permitem ao mundo ver um confronto sempre ditado por alguns dos maiores jogadores do planeta. Nesse conto de ódio e paixão já passaram Zizinho, Leônidas, Sastre, Peucelle, Labruna, Lostau, Pedernera, Pelé, Gérson, Didi, Zico, Rivelino, Maradona, Kempes, Fillol, Passarela, Júnior, Sócrates, Falcão, Romário, Bebeto, Caniggia, Sensini, Batistuta, Riquelme, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Messi e tantos outros. Além da emoção à flor da pele, Brasil e Argentina é sempre uma promessa a qualquer amante de futebol de um jogo de qualidade. Afinal, entre todas as diferenças, ambos concordam quanto ao essencial, o amor à arte de se jogar futebol...
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segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Milagre de Berna


Título Original:
Das Wunder von Bern
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento (Alemanha):
2003
Estúdio: Seven Pictures / Little Shark Entertainment GmbH / Senator Film Produktions GmBH
Distribuição: Golden Filmes / Europa Filmes
Direção: Sönke Wortmann
Roteiro: Rochus Hahn e Sönke Wortmann
Produção: Hanno Huth, Tom Spiess e Sönke Wortmann
Música: Marcel Barsotti
Fotografia: Tom Fährmann
Desenho de Produção: Uli Hanisch
Figurino: Ursula Welter
Edição: Ueli Christen
Efeitos Especiais: Das Werk


Elenco

Louis Klamroth (Matthias Lubanski)
Peter Lohmeyer (Richard Lubanski)
Johanna Gastdorf (Christa Lubanski)
Mirko Lang (Bruno Lubanski)
Birthe Wolter (Ingrid Lubanski)
Katharina Wackernagel (Annette Ackermann)
Lukas Gregorowicz (Paul Ackermann)
Péter Franke (Sepp Herberger)
Sascha Göpel (Helmut Rahn)
Knut Hartwig (Fritz Walter)
Holger Dexne (Horst Eckel)
Simon Verhoeven (Ottmar Walter)
Jo Stock (Toni Turek)
Martin Bretschneider (Hans Schäfer)

Sinopse

Dois eventos marcaram a história da Alemanha no pós-2ª Guerra Mundial: a queda do Muro de Berlim e a histórica vitória da Seleção da Alemanha na Copa do Mundo de 1954, que ficou conhecido como o milagre de Berna, numa referência à cidade suíça onde ocorreu o jogo. As lembranças do jogo, que deu à Alemanha seu 1º título mundial, são mostradas através da família Lubenski, que vive na pequena cidade de Essen-Katernberg.


Dados:http://www.adorocinema.com

Audio:Alemão
Legendas:Português

http://www.megaupload.com/?d=JPCV7ON1

Aranycsapat

Quando a Equipe de Ouro entrou no estádio de Berna naquele dia 4 de julho de 1954, a chuva parecia ser a única coisa fora do script para a consagração daquela equipe que dominara o futebol mundial nos últimos 5 anos, desconhecendo derrotas nesse período. E não se podia esperar outra coisa daquele jogo. Era o cenário apropriado para que os heróis húngaros fossem elevados à categoria de deuses do esporte. À todos, eles já tinham conquistado. Derrotando os vizinhos austríacos e tchecos, então entre as mais tradicionais seleções do planeta. Um ano antes, humilharam os ingleses duas vezes, a primeira delas no imaculável templo de Wembley e nas fases finais da Copa da Suiça derrotaram os atuais vice e campeões do mundo, Brasil e Uruguai, respectivamente. Logo, a presença da Alemanha como rival era um detalhe sem maior importância, visto que os mesmos germânicos nunca haviam vencido uma Copa, vinham da calamitosa situação de um pós-guerra e, tinham sido arrasados pelos "magiares" húngaros por 8x3 na primeira fase da competição. O único obstáculo para a taça eram os 90 minutos que separavam o início do final da partida.

Esse pensamento por mais arrogante que pareça, devia ser o que pairava na mente da maioria dos espectadores daquele jogo, salvo alguns alemães, embora nem todos. Seria como - para compararmos com algo do cotidiano - ver uma seleção de basquete americana, com seus principais astros, entrar numa final de Olímpiada para enfrentar a Venezuela. O que esperar?


Esse status não era construído sobre uma base de areia. A Hungria passara os últimos anos, a mostrar ao mundo uma geração encantadora de jogadores. Seus feitos e seu modo de jogar eram tão arrebatadores que nomes como Aranycsapat (equipe de Ouro), Mágico Magiares, eram algumas das alcunhas usadas para descrever aquele time. Moldado a partir das idéias de um homem chamado Gustav Sebes que, comandava, sob a autoridade da ditadura stanilista húngara, o projeto futebolístico daquele país, a Húngria da primeira metade dos anos 50 reunia uma tática inovadora a uma geração de talentosos jogadores, entre os quais estava uma lenda do futebol, Ferenc Puskas.

Sebes, um ardoroso defensor do socialismo fora escolhido como Ministro dos Esportes e resolvera formar um time nacional que faria a propaganda da superioridade socialista a partir do esporte. Fruto de sua época, Gustav Sebes, resolveu separar entre dois times do futebol húngaro, os melhores jogadores do país. Entre o MTK e o Honved, estava a base da seleção nacional. No campeonato local, o Honved ganhou a simpatia dos torcedores, uma vez que o MTK era tradicionalmente alinhado com as idéias e pessoas da Polícia Secreta Húngara. Em cinco anos, o Honved ganhou quatro títulos. Títulos forjados pelos pés daquele atacante baixo e meio gordinho, mas que tinha uma capacidade incrível de iludir seus marcadores e de encontrar soluções inesperadas para concluir a gol. Era Ferenc Puskas. Mas, o Honved não era somente Puskas. Sandor Kocsis, Zoltan Czibor, Laszlo Budai, além de Bozsik, amigo de infância de Puskas que entrara com ele no time, faziam parte daquele time e da seleção húngara que deslumbrava o mundo. Sebes escolhera inovar no quesito tático e ao invés de adotar o WM tão tradicional para aqueles tempos, escolhera o sistema 4-2-4. Essa formação dava liberdade aos homens de ataque para se moverem de volta ao meio-campo e encontrarem espaço para penetrarem nas defesas com movimentos de rodízio entre eles. Era o que Gustav Sebes chamava de "futebol socialista" e, pode-se dizer, era um parente mais velho do futebol total que seria honorado pelos holandeses em 74. Puskas costumava definir assim, aquele jogo: "Quando atacávamos, todos atacavam e o mesmo quando defendíamos".



Essa dinâmica, entretanto, só era sustentada pela grande capacidade técnica de seus jogadores. Espantados pela grande técnica dos húngaros, o craque inglês, Stanley Matthews disse: "Foi a melhor equipe contra quem joguei. A melhor de todos os tempos." A Hungria sustentou uma invencibilidade em jogos oficiais que durou quatro anos, com 32 partidas, sendo 28 vitórias. Um recorde que só cairia nos anos 90. Nesse meio tempo, propelidos pelo regime socialista que buscava se utilizar da crescente legenda do Aranycsapat (Equipe de Ouro) para divulgar os ideais e a imagem de superioridade humana que o regime podia proporcionar, ganhou um título Olímpico, massacrando todos os rivais pelo caminho (3x0 na Itália, 7x1 na Turquia, 6x0 Suécia e 2x0 na Iugoslávia). Impressionado com o rendimento daquele time, Stanley Rouss, ex-jogador e, à época, dirigente do futebol inglês, resolveu estabelecer um convite para os magiares confrontarem os ingleses em Wembley. Vencer os ingleses na casa deles era uma tarefa hercúlea para qualquer adversário. Apesar do isolacionismo que escolheu para seu futebol, a Inglaterra era imbatível em Wembley. Só o fato de receber tal convite era uma honra. Mas os húngaros foram mais longes. Sebes viu naquele jogo, o simbolismo ideal para mostrar como os representantes das multidões podiam impingir uma derrota à classe imperialista. Com um discurso inflamado, convocou seus jogadores a fazerem o jogo de suas vidas. Se foi por isso, ou simplesmente pela grande superioridade do time húngaro, o fato é que os ingleses tiveram que amargar uma derrota humilhante, 6x3. Um placar pequeno para a diferença de rendimento das equipes. Enquanto a Inglaterra chutara 5 vezes ao arco de Grosics, os magiares faziam 35 disparos. Incredúlos, os ingleses decidiram salvar sua honra, apelando para uma revanche que se faria na Hungria. Seria melhor terem aceitado a primeira derrota, pois a segunda, foi ainda mais acachapante, 7x1. Esses confrontos com os ingleses selava o destino de favoritismo dos húngaros para a Copa da Suiça.


Um outro truque usado por aquele time parece rídiculo nos dias de hoje, mas era inédito e bastante funcional na época. Os húngaros se aqueciam antes dos jogos. Isso mesmo. Um procedimento tão usual hoje, era inabitual para o futebol dos anos 50. Em certas ocasiões, eles inclusive jogavam entre si, antes das partidas e, com isso, entravam fisicamente melhor preparados que o adversário. Era normal que abrissem um placar dilatado já no início da partida e com o adversário tendo que se desdobrar para igualar a situação, eles encontravam ainda mais espaço para outros gols. Das 32 partidas invictas, entre 50 e 54, a Hungria fez nada menos que 144 gols, uma absurda média de 4.5 gols por jogo.

A Copa do Mundo começou exatamente assim, 9x0 na Coréia do Sul, 8x3 na Alemanha, 4x2 no Brasil, 4x2 no Uruguai, ou seja, 25 gols em 4 partidas. É verdade que a Alemanha pusera um time reserva contra os húngaros. Diz-se que o esperto Sepp Herberger, sabendo que a classificação dependeria de uma vitória contra a Turquia (o regulamento desta Copa previa dois cabeças de grupo por chave. No grupo dos húngaros, além deles mesmos tinha a Turquia como outra cabeça de chave. Os cabeças não se enfrentavam no mesmo grupo), resolveu poupar seu grupo de jogadores de uma derrota certa e deixá-los aptos para o jogo-desempate contra os turcos. Foi no jogo contra a Alemanha que Ferenc Puskas se machucou, num incidente que pode ter sido um ponto de inflexão desta Copa. Outros jogadores também sofreram com a violência dos adversários, notadamente dos sulamericanos nos confrontos contra Brasil e Uruguai. O jogo contra os brasileiro, inclusive, é conhecido como "A batalha de Berna". Sofrendo ainda dos males causados pela perda da Copa do Mundo no Maracanã, os craques canarinhos não aceitaram outra derrota e resolveram que ganhariam em outro âmbito que não na bola. Foi um triste momento na história do escrete brasileiro.

E chegou o dia 4 de julho, com a final preparada para ratificar aquele time que dominara o cenário futebolístico mundial, como os grandes e oficiais melhores do mundo. E veio a chuva, e com a chuva o tal truque do pré-aquecimeto não tinha muito efeito, pois o terreno não permitia que a velocidade do jogo húngaro se desenvolvesse. Além disso, um campo enlameado proporcionava choques, o que também era desvantajoso para uma equipe que vinha com um batalhão de jogadores contundidos. Mesmo assim, aquele jogo começou como qualquer outro jogo do Aranycsapat. Oito minutos de partida, 2x0 para os húngaros. Certeza absoluta, era só esperar o resto do espetáculo para ver Puskas erguer a Jules Rimet ao final. Nem mesmo a final entre Brasil e Uruguai, quatro anos antes, parecia ter um favorito tão evidente. Mas, como quatro anos antes, o jogo mudou de mãos. Aos 18 minutos do primeiro tempo, os alemães empatavam, e o ritmo natural das partidas em que a Hungria estava envolvida, era subvertido pela primeira vez. Aparentemente cansados, os húngaros não pareciam ter forças para aguentar o ritmo empregado pelos alemães. Herberger mandara marcar Boszik e o jogo magiar não fluía. Aos 84 veio o golpe final, Rahn fazia 3x2. O público perplexo via um reinado duradouro cair. Via Fritz Walter levantar um troféu destinado a Puskas e uma equipe que encantara o mundo com seu jeito de jogar e com seus incríveis jogadores, falhar na hora mais importante de seu império. A Hungria não seria a campeã do mundo. O Time de Ouro, finalmente tombava. Justo em seu momento de apogeu.



Na volta para casa, a derrota seria duramente cobrada pelo regime. Todos os privilégios foram aos poucos desaparecendo. Mesmo perseguições individuais ocorriam. Gustav Sebes perdeu sua posição no comando do esporte nacional. Concomitantemente, o país mergulhava num momento de intensa tensão social. O movimento chamado Levante de Budapeste, em 1956, expulsou as tropas soviéticas do país e um clima de medo e incerteza provocou a debandada de vários húngaros de seu país. Aproveitando-se de uma excursão que o Honved fazia, vários jogadores não voltaram à terra natal. Alguns deles foram suspensos pela Fifa, como Puskas, que só voltaria a atuar em 1958, ao lado de Di Stefano, no poderoso Real Madrid de Santiago Bernabeu. Todo esse quadro acabou por minar o futuro do futebol na Hungria. Privada de seus maiores craques e dolorida com a "Derrota Impossível", além dos imediatos problemas econômicos e políticos, as futuras gerações de húngaros perderam suas referências e o país entrou no ostracismo do esporte, nunca mais voltando a produzir jogadores que se aproximassem àqueles do Aranycsapat. Esse epílogo, por outro lado, é ao mesmo tempo um dos impulsionadores para o folclore do Time de Ouro, como o último bastião de uma época romântica do futebol. De uma época de jogadores incríveis que se passavam por heróis, mas que como todos os hérois, findaram por encontrar um final trágico.

A vida, entretanto sempre oferece duas faces à mesma realidade. Se o chamado "Milagre de Berna" findou em um triste capítulo a epopéia dos magiares, o mesmo dia é visto como a incrível conquista de 22 homens desacreditados. E mais que isso, é visto como a primeira conquista de uma nação dizimada e humilhada após uma Guerra Mundial. Como os alemães puderam voltar a sorrir de novo e a ter orgulho de si mesmos, sem se envergonhar pelo passado recente. Foi o primeiro capítulo da reconstrução de uma nação em escombros mas, que, por um lapso de momento pode viver com o mesmo espírito altivo com que viveram os húngaros antes daquela partida. Muito se falou da vitória alemã. Sobre um suposto doping de seus jogadores ou como a invenção de chuteiras com tarjas, permitiu aos germânicos uma superioridade sobre um terreno de jogo enlameado. Essas são histórias que apenas servem para aumentar a iconografia de grandes épicos como essa partida. Momentos da vida real que poderiam ter saído da imaginação de um script de cinema...



domingo, 5 de julho de 2009

Agradecimentos

Chegamos ao fim da série de finais do Campeonato Brasileiro. Infelizmente, algumas das edições estão faltando. Nesses casos, eu procurei incluir videos ou compactos curtos. Ao menos fica um registro sobre o evento. Ademais, espero que se alguém puder compartilhar um arquivo com o jogo completo ou um longo compacto dessas finais ausentes, será um grande aporte ao blog.

Por fim, gostaria também de deixar registrado o agradecimento a algumas das fontes que possibilitaram o acesso a certos arquivos. Agradeço aos sites Acervo Santista, Portal Torcida Tricolor, a Comunidade Vasco Multimídia, ao site do Will, Futvideos, ao Romario11 do FBLTZ e ao Intermultimídia. Se esqueço de algum, peço que me perdoe.
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