sábado, 31 de outubro de 2009

O Brasil e as Copas do Mundo


Uma pesquisa dos anos 80 mostrou que o brasileiro preferia ver seu time campeão do mundo a ver a Seleção se sagrar com o mesmo título. No entanto, todo brasileiro sabe e entende como a Copa do Mundo é um torneio que gera expectativa inigualável. Seu glamour não encontra paralelo a nenhuma competição que nossos clubes disputem e, como já discutimos aqui outras vezes, o próprio conceito de auto-estima do povo do Brasil se relaciona com as conquistas dos mundiais. Uma febre iniciada nos anos do "Milagre Econômico" e que perdurou por toda a história do futebol em solo tupiniquim. É verdade que, para pessoas como eu, nostálgicos de outros tempos e sentimentos, mesmo a Copa do Mundo não desperta o mesmo palpitar de outrora, embora seja inconcebível negar sua singularidade como competição esportiva. É um evento de um único esporte que tem o mesmo impacto de uma Olímpiada (o maior evento congregador de uma variedade de esportes). O Brasil é o filho mais amado desta competição. Não só por ter sido seu maior vencedor, mas sobretudo por nunca deixar de estar presente a uma de suas edições, desde a primeira em 1930 até a última na Alemanha. Nos gramados do torneio da Fifa nasceram as maiores lendas do futebol brasileiro e se misturaram as maiores glórias e os maiores dramas.

Limitados pela tecnologia, temos registros que começam efetivamente em 1954, com alguns compactos dos jogos da Seleção, mas que só se tornam íntegros nas semifinais da Copa da Suécia. Assim, a partir deste tópico, comecarei a postar todos os jogos que disponho da Seleção em Copas do Mundo a partir de 1954 (compactos) até a derrota contra os franceses em 2006. Vamos a isso...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Novos Rumos

Estou refletindo sobre a possibilidade de mudar a forma como são feitos os posts no blog. Até aqui adotei a estratégia de fazer séries, o que facilitava discutir um tema específico e também criar uma forma de interação com os usuários, através das enquetes que definem essas séries. No entanto, o processo de criar séries não é de todo simples, pois ele implica na escolha de temas, na separação de um número de jogos associados a este tema e na tarefa de "upload" para os mesmos. Com isso, pensei em "dar um tempo" nesse processo, fazendo apenas posts mais ou menos ao acaso e, de vez em quando, voltando às séries. Assim, minha decisão por hora é começar essa nova dinâmica logo após a série vencedora da enquete que está valendo no momento. Porém, lançarei uma nova enquete para saber a opinião dos usuários a respeito das séries. Mas, lhes advirto, que não necessariamente usarei o resultado como uma decisão, apenas será uma base para reflexão. Afinal, a democracia aqui é moldada no sistema romano. O povo fala, mas "Caesar" decide :)

Abraço a todos!

domingo, 11 de outubro de 2009

Éramos mais felizes quando perdíamos?


Acabou o jogo. O Brasil era campeão do mundo vinte e quatro anos depois de ter conquistado a Jules Rimet. Eu havia passado toda a minha infância a espera daquele momento. Cheguei a acreditar, em meio a desilusão do testemunho de três Copas perdidas, que aquele dia nunca chegaria em minha vida. Mas, estranhamente, não me sentia realizado. Éramos campeões do mundo, mas parecia que não. E a estranheza, eu entendi depois que as idéias se assentaram. A vitória não viera como em meus sonhos. Não era o Brasil arrasador que eu pensara que veria levantar a taça da Fifa novamente, mas era um Brasil muito mais trabalhador. Que mais transpirava que inspirava. Em nada tinha de comum com o genial time que me batizou como amante do futebol na Copa de 1982. É verdade que contava em suas fileiras com um gênio que, seguramente, teria lugar naquele esquadrão, Romário. Mas no mais, era um time que não deixaria marcas indeléveis na história, como os onze de 70 ou mesmo os derrotados da Espanha. Não, em meu espírito aquela era uma copa ganha sem a fantasia que eu esperava e o resultado em minhas impressões era equivalente a não termos ganho.

Passado um certo tempo, imaginei que aquela vitória tinha sido um tour de force necessário para nos livrarmos do complexo de derrotados que já nos impregnava e o que viria a seguir seria mais agradável. Fomos a uma outra final quatro anos mais tarde e ganhamos outra copa oito anos depois, mas nenhum momento desses me satisfez plenamente. A Seleção Brasileira, maior marca da fantasia que o futebol mundial conhece, havia ficado perdida em algum lugar nos meados dos anos 80, juntamente com meus ídolos, Sócrates, Zico, Leandro, Júnior, Cerezo e Falcão.

No interlúdio desse tempo, a seleção foi perdendo gradativamente o charme que tinha, a mobilização que despertava. Muita gente passou mesmo a esperar um fracasso do time. A razão disso é a empáfia que domina a marca Seleção Brasileira. Marca que foi maculada pela administração suspeita que a tirou de patrimônio do povo para transformá-la numa simples grife sem qualquer ligação com sua cultura e com sua gente. Nos dias de hoje é mais fácil encontrar camisas amarelas jogando em Wembley que no Maracanã e com isso o laço que era tão nítido naqueles sofridos anos sem vitórias se tornou apenas uma lembrança passada de pai a filho como uma legenda, mas sem substância. Se multiplicaram amistosos inúteis e a Seleção foi vulgarizada. Vulgarizada a ponto de ser dirigida por qualquer pessoa e representada por qualquer jogador. Num único intuito de vender mais jogos a organizadores, patrocinadores e televisão.

Esse processo de mercantilização afastou também a personalidade da seleção de sua natural característica. Até mesmo a fantasia ganhou um nome com copyright regitrado: "Joga Bonito". E esse ato passou a ser apenas uma lembrança ilustrada por melhores momentos de jogadores que não jogam mais hoje. A mim não satisfaz a maneira de jogar da seleção que não representa aquilo que aprendi ser o núcleo do futebol brasileiro, o jogo do espetáculo, feito para divertir, além de ganhar. A mediocridade dos dias de hoje ganha o nome de eficiência e esconde em números e resultados a incapacidade que tem uma equipe que é formada por alguns dos melhores jogadores do planeta, de dar espetáculos. E essa questão tem as mesmas respostas medíocres de sempre. De que o futebol mudou, de que se deve escolher entre vencer jogando pragmaticamente ou perder dando espetáculo. Respostas que não explicam o porque de equipes como Barcelona e a Seleção Espanhola conseguirem ambas as coisas, vencer jogando o belo.

Tristemente o último bastião de voz que lutava pela beleza em nosso jogo não está mais entre nós. Telê Santana, ele que foi o artíficie do time espetáculo de 82 que desconheceu a vitória, mas que também foi o criador do time são-paulino do início dos anos 90 que nos ensinou que podíamos de novo sermos campeões do mundo, numa época em que duvidávamos disso. Mas, que sobretudo, podíamos vencer jogando nosso futebol.

Esses dias estive revendo a partida Brasil x França pela copa de 86 e é emocionante ver como uma equipe que mesmo sendo cansada pela idade de 4 anos ainda conservava lampejos do brilhantismo de nosso mais puro futebol, pois tinha jogadores que não se satisfaziam em correr, mas sobretudo pensavam.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Milan AC: uma legenda em vermelho e negro

Visto da perspectiva dos anos atuais, a história do A. C. Milan se confunde com a ascenção de Silvio Berlusconi. De fato, o período que se inicia na segunda metade dos anos 80 foi o mais dourado da história milanista. Entretanto, o clube lombardo já era um dos grandes da história européia muito antes do aparecimento do magnata italiano e da fundação das bases do novo Milan a partir de sua aquisição.


Na década de 50, o clube luziu em seu plantel o trio de suecos Gren, Nordhal e Liedholm, o chamado trio Grenoli, responsável pelo primeiro período dourado dos lombardos que se caracterizou pela conquista de 4 campeonatos italianos na década e pela primeira final européia, perdida para o esquadrão de Santiago Bernábeu, em 1958. Nessa década, o Milan também foi capitaneado pelo grande Schiaffino, um dos heróis da conquista uruguaia na Copa do Mundo de 1950. A partir dessas glórias, o A. C. Milan continuou triunfando na década seguinte, liderado no banco de reservas pelo treinador Nereo Rocco e dentro do campo por Gianni Rivera. Os rossoneri conquistaram seu primeiro título continental, vencendo os lusitanos benfiquistas na final de 1963 e repetindo o feito contra o Ajax, em 1969. Além disso, a primeira conquista intercontinental aconteceu face aos argentinos do Estudiantes, no mesmo ano.



A década de 70 foi marcada por glórias mais modestas como várias Copas Italianas e uma Recopa Européia, além de uma outra perdida em 1974. Depois do scudetto, vencido na temporada de 79, contudo, o período mais negro da história dos rossoneri começaria. Envolvido pelo escandâlo do totonero (arranjo de resultados de jogos que beneficiavam casas de apostas) o Milan foi rebaixado à segunda divisão e, mesmo voltando à elite somente uma temporada depois, as sequelas minaram a saúde econômica do clube, provocando um novo descenso e a quase bancarrota, em 1985.

É nesse ponto que aparece Silvio Berlusconi. Interessado num veículo de popularização de sua imagem, o magnata injeta rios de dinheiro no clube, reestruturando-o completamente, contratando jogadores e entregando o futebol nas mãos de um treinador iniciante chamado Arrigo Sacchi. Sacchi, juntamente com o trio de jogadores holandeses, Gullit, Rijkaard e Van Basten, vão inaugurar o período mais vencedor da história dos milaneses. Num espaço de 6 anos, o clube vencerá 3 vezes a Copa dos Campeões da Europa, duas vezes a Taça Intercontinental e 4 Campeonatos Italianos. A partir desse período, sempre contando com estrelas internacionais e com uma das melhores estruturas do mundo, o Milan se consolida como o clube mais vencedor do futebol mundial, carregando 18 títulos internacionais.



No entanto, uma das características mais interessantes da política do clube é a manutenção de ídolos formados nas chancelas de Milanello. Jogadores como Tassoti, Albertini, Baresi e Maldini, desfilaram por décadas seu futebol quase ou apenas vestidos de vermelho e preto. Esses dois últimos certamente estão entre as maiores lendas produzidas pelo clube e entre os melhores defensores que a história do esporte já viu. Uma fidelidade marcada pelo vermelho e preto de um clube que entre períodos dourados e negros se estabeleceu como um dos mais poderosos de um esporte poderoso.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Mea Culpa...

Algumas pessoas lembraram que na enquete sobre o melhor jogador europeu da história, uma figura de grande relevância foi esquecida. Trata-se simplesmente de Ferenc Puskas. Por não necessitar de qualquer apresentação, já se pode notar que a figura é mesmo vultosa, como se pode conferir facilmente vendo os jogos aqui postados da Hungria de 54 e as finais do Madrid. Bem, foi um esquecimento imperdoável que aconteceu pelo fato de que eu, ao pensar na enquete, fui lembrando dos nomes a partir da lista de vencedores da Bola de Ouro oferecida pela France Football. Prêmio que só começou a ser ofertado a partir de 1956 e que Puskas nunca venceu. Assim, quero pedir mil perdões aos fãs de Ferenc e à memória do Major Galopante pois, infelizmente minha memória não anda tão infalível quanto era sua pontaria.

PS: Acho que eu também poderia colocar no hall dos injunstiçados mais duas figuras lendárias do futebol europeu: Stanley Matthews e Mathias Sindelar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nota de Agradecimento

Existem certas coisas que compensam alguns esforços na vida. Comecei este blog, pensando em dividir idéias e sentimentos com outras pessoas que como eu amam o futebol e sua memória. Com o tempo, a paciência foi diminuindo para colocar as idéias em palavras e os textos rarearam, Por outro, comecei a postar, alucinadamente, admito, jogos e mais jogos. No entanto, o dinâmo de toda a motivação continuou intacto graças à resposta satisfatória das pessoas que começaram a acompanhar este espaço. Uma dessas pessoas é o companheiro Bira, o primeiro a se manifestar nesse blog e, que desde então têm sido um habitué. Pois bem, é a ele que gostaria de agradecer pela confecção da nova imagem de apresentação da página. Acho que ele captou muito bem o espírito deste espaço e nos brindou com essa linda imagem. Bira, muito obrigado! E volte sempre!
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