domingo, 18 de dezembro de 2011

Venham assistir ao maior espetáculo da Terra...




"Recebemos uma verdadeira aula de como jogar futebol...". Essa frase parece e é um dejá vu. O texto copiado não veio da frase de Neymar após a final do Mundial de Clubes contra o Barcelona. Não se refere a Messi e companheiros. Esta frase é um trecho de uma entrevista dada pelo lateral inglês Phil Neal, que militou pelo Liverpool nos anos 80. Neal, participante da final interclubes contra o Flamengo, se referia ao futebol praticado pelo rubro-negro. Hoje, esta frase veio à tona na declaração do atacante santista e coloca o futebol brasileiro numa posição diametralmente oposta daquela que costumava estar. Mas ela não poderia ser mais verdadeira.


Assim como o mesmo Santos FC já foi chamado, nos anos 60, de "O maior espetáculo da Terra", o Barcelona atual não merece uma alcunha menor. Passaram-se muitos anos em que o futebol assistiu equipes boas, mas nenhuma que manteve uma hegemonia baseada na qualidade de seu jogo. Nenhuma que encantasse tão frequentemente quanto este Barcelona. O jogo que os catalães desfilam quase todas as partidas parecia pertencer às imagens em preto e branco de um passado romântico. Impossível de ser retomado.



No entanto, essa equipe escreve uma história nos últimos dois anos que ainda não está finda e que provavelmente renderá a ela um lugar entre os imortais do imaginário do futebol. Mas, mais do que isso, certamente o Barcelona será o único entre os gigantes que estará associado a um estilo que é seu sinônimo. Se perguntado sobre Santos de Pelé, Real Madrid de Di Stefano, Ajax de Cruyff ou o Milan dos holandeses, provavelmente um admirador não saberá associar um estilo tão inconfundível como é possível fazer com o Barcelona. Enquanto essas equipes se caracterizaram pela presença de monstros sagrados, o Barcelona conjuga isso, com Lionel Messi, ao seu toque e posse de bola. Ao trato inigualável que envolve todos os adversários como se fossem equipes menores. Talvez, o Ajax, não por acaso, seja o que mais se aproxima da mesma identidade. Justamente porque o DNA do Barça é derivado dos holandeses. Afinal este Barça foi cunhado pelas idéias do gênio dos Países Baixos, Johann Cruyff. Já escrevi diversas vezes neste blog como a política de formação de jogadores blaugrana é admirável e de como a paixão pelo futebol nutre as veias deste clube e das suas jovens promessas. 

O Barcelona me devolveu nestes anos a alegria de ver o futebol como algo além de uma competição. Me deu momentos em que aplaudia de pé suas jogadas, como costumei fazer um dia com os jogos e jogadores do Brasil. Assim como minha identidade futebolista se inicia com o time brasileiro de 82 e o Flamengo de Zico, não posso deixar de prestar minhas homenagens àquele que é o maior espetáculo da Terra nos dias de hoje. Ver o Barcelona é um privilégio que, um dia, poderemos sentir da mesma maneira que imagino sentiram aqueles que viram o Santos, o Real e o Ajax jogar. Ver este Barça é acreditar que em meio ao cinismo do mundo atual ainda é possível se criar a arte apenas pela arte. 

Vizca Barça!

1 comentários:

  1. Caro Gaius,

    mais um brilhante texto. Já é lugar comum eu repetir que compartilho minha identidade futebolística contigo. De fato, ver este Barça jogar é uma 'lufada de ar fresco' no calor abrasador e sufocante do nosso futebol. Não é à toa que já encontrei vagando pela net alguns textos de sites internacionais comparado este Barcelona à Seleção de 82. Quem sabe esta filosofia, que não é para todos, mas pode ser uma meta a ser alcançada, retorne aos nossos campos.

    É engraçado como vejo que dizem: "Era assim que os times brasileiros jogavam antigamente...", remetendo os mais antigos a saudosismos romanticos da nossa era de ouro do futebol, quando se criava arte pela arte. Que este Barça, vencedor, seja a antítese daquele Brasil de 82, no sentido de que vale a pena vencer divertindo-se e dando diversão.

    Não nos enganemos, entretanto, julgando que este Barcelona, que certamente habitará o panteão do futebol, conjuga 11, 12 ou mais deuses. Enquanto, como você bem disse, outras equipes se tornaram notáveis por reunir alguns monstros sagrados, este Barça, ao meu ver, só tem um: Messi. Os outros são meros mortais, mas com poderes mágicos capazes de prender a bola em seus pés e enfeitriçar os adversários com seu toque de bola. E o Merlin disso tudo se chama Pepe.

    Enfim, para finalizar, vou reproduzir uma frase que li num blog após o jogo e que resume o estilo de jogo do Barça: eles jogam futsal no campo!

    Grande abraço, boas férias e volte com novidades! rsrsrs

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